quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A moda além do vestuário

A moda além do vestuário
Seja no Brasil ou no mundo, nas últimas décadas a indústria da moda extrapolou os limites da área têxtil e do vestuário. Desde o surgimento do estilo prêt-à-porter nos anos 50, a moda passou a influenciar outras esferas como o design e a indústria dos cosméticos e perfumaria e se fundiu a muitas áreas da indústria do entretenimento.
Numa era dominada pela sedução exercida pelos meios de comunicação de massa, através da publicidade, do culto às celebridades, da divulgação frenética de “novidades” de toda espécie - de tênis a gêneros musicais -, estar na moda não é mais simplesmente ter acesso e usar a vestimenta adequada a um estilo e a um grupo social. A moda ganhou uma nova amplitude e passou a comandar os gostos em outros campos.
Também nas últimas décadas, tornou-se mais intrínseca a relação entre o estilo de vestir e as opções de vida. A sociedade que emerge após a Segunda Guerra Mundial é mais diversificada e democrática. Assim, a juventude rebelde das décadas de 60 e 70 criou estilos de viver, vestir e de produzir arte que viraram modas específicas como o hippie, o psicodélico, o mod ou o punk (aliás, este criado pela estilista inglesa Vivienne Westwood). Nos anos 80, os jovens executivos do mercado financeiro criaram um estilo de vestir e viver que ficou conhecido como yuppie (acrônimo em inglês para young urban professionals).
Sobre esse fenômeno que a moda provocou ao longo de sua história, o filósofo Gilles Lipovetsky afirma que a moda não é nem anjo nem fera. Para ele, no império da moda há mais estimulações de todos os gêneros, mas mais inquietude de viver; há mais autonomia privada, mas mais crises íntimas. Lipovetsky afirma que tal é a grandeza da moda, que remete sempre mais o indivíduo para si mesmo, e tal é a miséria dela, que nos torna cada vez mais problemáticos para nós mesmos e para os outros.

fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/industria-da-moda3.htm

Ana Carolina Violla Basílio

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Levi's aposta em campanha livre, leve e solta


A nova investida da marca que inventou o jeans é a campanha ‘Go Forth!’, ou ‘Siga em Frente’, que traz uma ideia de aventurar-se, conquistar, revolucionar e construir. Na verdade, esta é uma forma de homenagear a marca e ao mesmo tempo reinventar o espírito pioneiro para nova geração.


Adaptada para o Brasil

Com idealização da agência Wieden+Kennedy, a campanha sofrerá adaptação para o público brasileiro, pela agência ‘centoeseis’.
O interessante é a aposta da marca nos jovens e na web. A Levi’s decidiu investir em mídia eletrônica e criar novas maneiras de comunicação com seu consumidor, com o intuito de aproximação. As fotos da campanha são de Ryan McGinley.smo tempo reinventar o espírito pioneiro para nova geração.

Outra imagem da campanha brasileira

Ana Carolina Violla Basilio

Marcas Mineiras: expansão para combater crise

Com 10 lojas próprias, a Patachou aposta no mercado no DF. Além da loja que já tem no ParkShopping, em 2010 inaugura outra no Iguatemi Brasília. E a marca não para de crescer. Neste MTP, bateu mais de 200 pontos de revenda.
É a primeira vez que a grife comercializa sua coleção no salão de negócios do MTP. Até a edição passada, o lounge era menor e não comportava o showroom, então servia apenas como um espaço para agendamentos.
“Deu certo porque conseguimos fechar muitas vendas. Mostrar a coleção de verão dessa forma, com tanta antecedência, é um desafio, pois para produzir é preciso antecipar as pesquisas de materiais e conceito, mas estamos tendo um ótimo retorno”, diz Alexandre Matos, estilista da marca.



Inicialmente estão à mostra 160 itens no showroom da Patachou. Até o fim do alto-verão serão 350. A marca vende 50 mil peças por ano, todas produzidas por cerca de 25 empresas terceirizadas

Grife de moda praia refinada criada há 34 anos em Belo Horizonte, a Cila participa pela primeira vez do MTP. Consolidada em Minas, agora a marca quer expandir e vislumbra entrar no mercado de Brasília, que ainda não tem um ponto de venda da marca, que nasceu como “uma forma de protesto, já que na época um clube conservador da sociedade mineira não permitia uso de biquínis, apenas maiôs”. Os biquínis finos continuam sendo o forte da marca, mas com eles se destacam saídas de praia, vestidos leves e acessórios.

Linha day-by-day da Alphorria, a Cult também comemora o sucesso no MTP. Presente em 450 pontos no Brasil, a grife é vendida em Brasília em lojas como Iracema Torres e Ragi e atualmente negocia com a Ortiga, Monna e Stilo Chic.

Ana Carolina Violla Basilio

Fonte:
http://www.finissimo.com.br/mtp/verao2010/2009/05/02/marcas-mineiras-expansao-em-tempos-de-crise/

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O golpe de mestre da marca Chanel

Eu já tinha percebido algo pelas últimas campanhas que circulam há pelo menos um mês nas revistas de moda. Enquanto todas as marcas mostram modelos em poltronas de luxo, decoração de princesa, contos de fada... Chanel fez a campanha em preto e branco, simples, somente uma mulher em pleno campo.

Ah, Karl! Sempre em avanço como a marca, percussora desde os tempos de mademoiselle...
E, pensando bem, creio que não poderia ser diferente. Porque às vezes as vitrines nos matam de chatice. Todo mundo faz quase a mesma coisa em proporções diferentes... E como Chanel sempre frente à do seu tempo, jogava com códigos do futuro já em 1913, como poderia ser diferente?


Pois ontem, aqui em Paris, no desfile de alta costura, cheguei a levar um susto, mas logo adorei a proposta. O chique e tradicional Grand Palais foi transformado em casa de campo, para ser bem específica, uma granja. Nada foi esquecido na rústica decoração: pilhas de feno, grama, restos de verde, palha e bancos de tronco de árvores cobertos de juta acolhiam a chique platéia. O sinal do início do desfile? Uma galinha cantando “cocoricó”.

E em plena crise, (crise de tudo: moral, financeira & ecológica...) as empresas são OBRIGADAS a posicionar-se. Sem chance de recuo. E que estratégia melhor que oferecer um “retorno” a simplicidade (mesmo que esta, seja bem cara)?


Prince e Claudia Schiffer


Como sempre, a marca deverá ser o parâmetro para muitos no mundo e certamente no próximo verão de 2010, muitas coleções pelo planeta troçarão o bling-blig (superfora de moda!) pela simplicidade do artesal, como peças em crochê, tricô, florais e fuxicos (bem típico do trabalho maravilhoso desenvolvido pelo fantástico pessoal da CopaRoca, na favela da Rocinha no Rio).

Claudia, Karl Lagerferl e Virginie Ledoyen


Foi uma coleção ecológica? “A Ecologia, o Bio, é uma coisa do qual sou aderente, mas é preciso dar um toque de moda, de sofisticação”, responde o mestre Karl Lagerfeld.

Observação pessoal: no início do desfile, se escutou um galo cantar “Cocoricocó”...Para curiosidade, a primeira música que Gabrielle Chanel cantou na vida, na tentativa de trabalhar, foi num café em Moulins, a marchinha “Qui qu’a vu Coco” e repete várias vezes o refrão: “Cocoricocó”... (daí surge seu apelido “COCO”). Um verdadeiro retorno à fonte, não?

Ana Carolina Violla Basilio

Associação com a moda aumenta venda

Conheça algumas das estratégias utilizadas pela Motorola e Suvinil para incentivar o consumo de seus produtos

O conceito de moda deixa de ser aplicado exclusivamente ao vestuário e passa a atingir outros tipos de produtos. Muitas empresas vêm apostando nesse segmento para estimular a

s vendas e seus produtos, não necessariamente ligados a roupas, calçados, acessórios, ou beleza.

A associação com a moda toma emprestado os conceitos de inovação, diferenciação e exclusividade tão valorizados nesse meio. Afinal, na estratégia de Marketing há sempre o esforço de evitar o estigma de commodity para seus produtos, de forma a fortalecer o desejo do consumidor pela sua marca.

Assim como a moda é um meio de expressão e símbolo de status para muitas pessoas, os produtos que se encaixam neste universo estão ganhando uma importância maior a cada dia ao agregar esses valores.

Atributos como design, tendências, exclusividade e embalagem tornam-se conceitos essenciais para a efetivação de venda entre os consumidores, que passam a exigir atualização constante de seus produtos.

Posicionamento da Suvinil aposta em tendências de cores
Percebendo isso, a Suvinil adota desde outubro de 2006 um posicionamento onde o novo slogan "Renovar é Fácil. É só Querer" resume bem a nova direção da marca. A fabricante de tintas optou por trabalhar a sua imagem segundo o conceito de decoração, afastando-se, neste aspecto, do mercado de construção civil.

Toda a estratégia de comunicação da empresa passou a transmitir a idéia da tinta como um item barato, de fácil manuseio e eficiente no trabalho de decoração em comparação com a mudança de móveis, por exemplo. Para isso, a empresa agora trabalha com tintas que seguem a tendência de moda e que se renova a cada 12 meses. Para conseguir se aproximar deste mundo, são feitas pesquisas com expertise internacional utilizando pessoas do meio da moda e da decoração de interiores.

O trabalho é feito em conjunto com uma equipe da Suvinil que conhece e trabalha o estudo de cores no Brasil. A empresa oferece ainda serviços no ponto-de-venda que permite o consumidor preparar no local uma nova cor de tinta a partir da mistura de outras, além de ter acesso a um catálogo informando as mais recentes tendências e cartelas de combinação de cores.

Há ainda estandes onde é possível fazer uma simulação de ambiente para que o consumidor perceba a mudança que acontece com a troca de cores. "Além disso, ele pode levar gratuitamente para casa uma bolsinha de cor, de 200 ml, a ser usada como teste em uma parte da parede para que se tenha uma noção de como vai ficar o ambiente com a nova cor. Assim, o consumidor consegue no PDV e em casa ter uma idéia de como ficará a sua casa segundo as novas tendências", conta Mirian Zanchetta, Gerente de Propaganda e Promoção da Suvinil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O novo posicionamento foi trabalhado no novo site da marca, inaugurado em 19 de Março deste ano. De perfil de construção, agora tem um visual e conteúdo que remete à decoração. Além de oferecer dicas de arquitetos e decoradores conhecidos, como Marcelo Rosenbaum, há um simulador virtual de decoração. "Essa é a coisa mais inovadora. A ferramenta permite o usuário postar uma foto pessoal do ambiente que quer decorar e testar novas cores virtualmente. Temos ainda um banco de imagens de objetos e móveis que podem ser inseridas na foto. A partir daí, o cliente pode gravar a imagem, imprimir e levar a alguma loja, ou mesmo enviá-la a amigos pela internet. Graças a ele, temos aumentado o número de visitas ao site", diz Zanchetta, que também comemora uma maior venda, já que o consumidor é sempre estimulado a consumir a próxima tendência para não ficar defasado.

Produto como símbolo de status

Outra empresa que vem obtendo bons resultados na associação com a moda há alguns anos é a Motorola. Não é surpresa que há muitos anos o design tornou-se um fator fundamental na decisão de compra de aparelhos celulares. Percebendo isso, a fabricante americana marca presença no São Paulo Fashion Week há cinco anos, expondo seus novos produtos a um público ávido por tendências. "O consumidor de moda e tecnologia são muito parecidos. É um público fashion, que está antenando, quer conhecer e consumir as novidades", conta Andreia Vasconcelos, gerente de branding.



Para Andreia, à medida que o celular torna-se um símbolo de status e acessório de moda, associar-se a esse universo é fundamental para o marketing da empresa. "A preocupação com design e tendências de moda está no DNA da Motor

ola. Sabemos que o consumidor está exigente e quer se diferenciar. Por isso nos aproximamos da moda e suas tendências em nossa estratégia. E o retorno em awareness e branding vem sendo positivo.", completa em entrevista ao Mundo do Marketing.

Qualquer marca que quiser passar uma imagem de inovação, vanguarda, renovação ou exclusividade pode colher benefícios com essa associação, segundo Sérgio Garrido, professor do curso de Marketing de Moda da ESPM-SP. "Em principio, várias ca

tegorias podem se aproveitar da moda do momento. Até em apartamento. Tinha uma época em São Paulo que só vendia-se apartamento com lareira. Hoje, a moda é terraço com churrasqueira", conta ele.

Parceria com marcas de modas
As empresas podem ainda utilizar um nome para agregar em seus produtos. É caso da Motorola, que, além de vender aparelhos com design sofisticados e diversas opções de cores, chegou a vender uma edição limitada de aparelhos celular que levava a marca Dolce & Gabbana. A “coleção” vendeu todas as duas mil cópias disponíveis no dia de seu lançamento, na Itália.


A fabricante também lançou uma edição limitada de aparelhos com design desenvolvidos pelo estilista Alexandre Herchovitch. O expoente da moda também foi chamado pela FIAT para criar uma linha de roupas que levou o nome da marca e decorou o modelo Punto, exibido no último São Paulo Fashion Week, em janeiro.

Já a Nestlé fez uma parceria com a rede de lojas Iódice e distribuiu uma edição limitada do seu Suflair Dark para quem comprasse algum produto nas lojas. Essa é uma das abordagens que são estudadas na ESPM: a moda como meio de comunicação para divulgar a marca e os produtos de uma empresa.

Outra tática utilizada pelas empresas é criar produtos de edições limitadas, que podem ser substituídos por outros produtos semelhantes, mas nunca diferentes. Isso estimula a compra, já que oferece um diferencial para o consumidor que não se verá em outra época. "Essa é uma experiência que o pessoal que fabrica sabonete, toalhas e alimentos, por exemplo, desconhece. Os produtos, muitos ainda pensados como feitos "para sempre", sem renovação, hoje são cada vez mais renovados e ligados em tendências para estimular a venda, já que o produto que mais pode vender é aquele que combine com a moda do momento", explica o professor Garrido.

Ana Carolina Violla Basilio

Fonte: http://www.mundodomarketing.com.br/8,4130,associacao-com-a-moda-aumenta-venda.htm

Reposicionamento de marca requer estratégia

Reformulação deve ser cuidadosa para evitar perda de identidade

No varejo, não é possível ficar parado nunca. Atualizar a coleção, ter atenção ao público e pensar em reposicionamento da marca são pontos com os quais os empresários devem se preocupar constantemente. Entretanto, na hora de reposicionar ou reformular a loja é preciso atenção para não perder a identidade e a proposta original da marca. Alguns especialistas do setor acreditam que, mesmo com cautela, não é possivel reposicionar a marca sem perder identidade.

Há 20 anos no mercado, a Redley atravessa a fase de transição. Antes voltada exclusivamente para o surfwear adolescente, hoje a marca tenta conquistar um novo público. "Estamos investindo em jovens de 22 a 29 anos, mas isso não significa que deixaremos de atender nosso antigo público", explica Winnie Colvin, diretor de marketing da empresa. O estilo Redley continua focado em praia e esportes, porém a loja cria essa moda sobre a ótica de um público mais velho.

Queremos manter nosso público antigo, entretanto, não estamos mais desenvolvendo produtos focados para eles. Percebemos, desde 2000, que a loja precisava se reposicionar no mercado. Agora estamos entrando em um segmento que ainda é pouco explorado, a moda praia para jovens adultos explica Colvin. A Redley pretende ousar mais nas coleções e criar estilos. "O cuidado é para não perder a identidade. Continuamos ligados à moda praia, mas agora de uma forma mais amadurecida e para um público também mais maduro", frisa Colvin. O reposicionamento no mercado inclui a mudança na comunicação visual e na arquitetura das lojas e a abertura de três novas unidades no Shopping da Gávea, em Ipanema e no Shopping Leblon.

Objetivo é atingir público mais jovem

A rede Mademoiselle, antes focada em senhoras, segue o caminho oposto da Redley. A marca também busca reposicionamento, mas o objetivo é atingir um público mais jovem. "Estamos inovando na coleção, mas sempre com cautela para não perder nossas clientes", diz Márcia Rocha, supervisora geral da rede. A marca está no mercado há 63 anos e sempre foi focada em senhoras. Hoje, além das senhoras, a Mademoiselle quer conquistar as mais jovens que procuram por roupas clássicas, mas inovadoras.

Como temos clientes mais conservadoras precisamos avançar com cuidado. Há duas coleções introduzimos o jeans, que foi um sucesso de vendas comenta Márcia. A proposta da marca é investir em produtos com cara mais jovem, acompanhando a tendência da moda. "Essa mudança, entretanto, será vagarosa. Precisamos ir com cautela para não assustar nosso público, que é formado, essencialmente, por jovens senhoras conservadoras", diz Márcia. A pretensão da rede é mostrar para essas senhoras que é possível ser clássica e conservadora acompanhando a moda. Apesar de o investimento ser nas coleções, a rede também está investindo em projetos arquitetônicos inovadores e visual mais criativo.

No varejo é fundamental acompanhar o mercado de moda. "Não é possível parar no tempo. Indicamos mudanças no layout das lojas e na própria identidade. Algumas redes não sobrevivem às modificações do mercado, por isso é preciso se atualizar sempre", analisa a consultora de varejo Daniela Freitas. Seguindo esse conceito, o Cantão passa hoje por uma atualização. "Diferentemente da Redley (empresa do mesmo grupo do Cantão), o Cantão não busca um reposicionamento. Não estamos focando em outro em público, estamos atualizando a marca e buscando diferenciações em relação à concorrência", afirma Thomas Simon. A loja, antes voltada para adolescentes, foca sua coleção nas mulheres de 25 a 29 anos. "Isso não quer dizer que não atenderemos outras idades. O Cantão é democrática e vale para todas as mulheres", completa o empresário, acrescentando que a marca evoluiu ao longo dos 40 anos de mercado.

O professor do FGV Management e coordenador do livro "Gestão de Produtos e Marcas", Hélio Arthur Irigaray acredita que é impossível reposicionar uma marca e manter o mesmo público. "Se foi preciso esse reposicionamento, algo não estava dando certo", diz. Se o objetivo for conquistar um público maior, o professor recomenda que as marcas criem extensões, como a Gap Kids, por exemplo. "Não queremos mudar a marca, nem perder a identidade, estamos incrementando nossos produtos e serviços para continuar atendendo bem as clientes", argumenta Márcia, da Mademoiselle.

O mesmo acontece com a Le Postiche. Segundo Alessandra Restaino, diretora comercial da empresa, há alguns anos a marca fez uma pesquisa no mercado consumidor e percebeu que os produtos Le Postiche tinham credibilidade, entretanto, seria preciso rejuvenescer a marca. A partir daí a empresa começou a investir em novos projetos arquitetônicos e, até mesmo, no perfil dos vendedores. "A marca tem credibilidade. Agora estamos focando no design. Queremos oferecer produtos com qualidade, bom preço, estilo e de acordo com a moda", diz.

Ana Carolina Violla Basilio

Fonte: Jornal do Commércio Brasil - RJ

quinta-feira, 8 de outubro de 2009



MELISSA, não é um sapato, mas um objeto de design que ultrapassa forma e conteúdo chegando à verdadeira mensagem que quer transmitir: a do plástico como opção. Para MELISSA, a tecnologia está a serviço das emoções humanas. Ela acredita que, com novas técnicas, dá-se um passo à frente para enxergar novos caminhos. Mas isso não sem se abastecer de inspirações. É do mundo das artes plásticas, da arquitetura, da música, da fotografia e de tantos outros mundos que ela absorve influências para se recriar em novas versões de si mesma. E é do Brasil, país de misturas culturais e tentativas criativas, cujo povo vive eternamente de projetos e alternativas ao lugar-comum, que ela herdou sua grande característica: a de ser multidisciplinar. Afinal, MELISSA é o que cada um acha dela. É feminina, sexy, pop, original, refinada, curiosa, inusitada, lúdica, otimista, bem-humorada, sedutora, indecente e inocente.
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A história
A sandália MELISSA nasceu em 1979 introduzida no mercado pela empresa gaúcha Grendene, fundada em 1971 na cidade de Farroupilha, que inicialmente fabricava embalagens plásticas para garrafões de vinho. Os irmãos Alexandre e Pedro Grendene resolveram investir em calçados feitos de plásticos, e depois de algumas frustradas tentativas de lançamentos, introduziram a sandália MELISSA, que teve como primeiro modelo o Aranha, inspirado nas sandálias Fisherman usadas pelos pescadores da Riviera Francesa, que se revelaram uma ótima inspiração para criar sapatos cheios de estilos, que, feitos de plástico, tinham como principal objetivo ser uma alternativa ao comum. O sucesso foi imediato, chegando a vender nos primeiros 60 dias cerca de 200 mil pares e atingindo vendas de 25 milhões de unidades em um único ano. Em 1982, a releitura do modelo ARANHA, na versão ROCK, que ao invés da fivela trazia um cordão para amarrar no tornozelo, fez um enorme sucesso. A marca tanto tirou proveito quanto foi uma das grandes responsáveis pelo fato de o plástico ter se tornado, com o tempo, um item de maior valor agregado na transformação da moda - e principalmente, nos acessórios que a compõem. O lançamento da marca adotou como base à criação de calçados diferenciados, inspirados nas tendências de moda de grandes centros como Paris e Nova York.



A marca foi pioneira em fazer merchandising na televisão brasileira, isto ocorreu na novela Dancing Days a partir dos pés de Júlia, personagem de Sônia Braga. No ano de 1983, com modelos assinados por grandes estilistas internacionais - como Thierry Mugler, Jean Paul Gaultier, Jacqueline Jacobson (da marca Dorothée Bis) e Elisabeth Seneville - as sandálias MELISSA já ultrapassavam fronteiras, indo parar nas vitrines das mais famosas lojas do mundo. Em outubro, esses estilistas desfilam suas coleções de primavera-verão em São Paulo. Nos pés, as modelos calçam a MELISSA criada por cada um. A partir daí, a Grendene começou a reforçar seus próprios modelos de MELISSA, atuando no lançamento de coleções a cada estação para firmar o produto no mercado.



O sucesso foi tanto que a sandália ganhou uma versão infantil, a MELISSINHA, em 1984. Desde então, a linha Kids da empresa não parou mais de crescer. A aposta é abusar dos licenciamentos, como Barbie, Hot Wheels e Disney, utilizando em boa parte o apelo emocional e lúdico dos calçados com acessórios, que expressem o universo infantil. Após um período de estagnação, em 1994 as sandálias foram relançadas. No período de 1994 à 1998, a marca buscou um novo posicionamento no mercado, utilizando até a famosa modelo Claudia Schiffer para campanha promocional em revistas e televisão, e no início dos anos 2000 a MELISSA voltou a crescer, ganhando novamente bastante destaque no mundo da moda.



Há alguns anos, a marca, que redescobriu sua vocação fashion, passou a investir em parcerias com profissionais de várias áreas, como o estilista Alexandre Herchcovitch (um dos brasileiros mais renomados dentro e fora do Brasil), os designers Fernando e Humberto Campana e o badalado estilista inglês Judy Blame, famoso por seus editoriais para a revista ID e pelo visual de famosos como Boy George e Björk. A marca vem ganhando espaços expressivos em editoriais de publicações internacionais. Em 2007, a marca mereceu destaque no jornal The Washington Post, apelidando a MELISSA de “Brazilian Jelly Giant”. Em 2008 foi a vez do renomado International Herald Tribune, na página da poderosa editora Suzy Menkes, dedicar meia página à MELISSA e dizer que os sapatos de plástico ditam estilo. Foi neste mesmo que a marca lançou sua primeira campanha internacional com anúncios em revistas e um site exclusivo para esse mercado.



Foi assim que a marca MELISSA se tornou a celebração e a democratização do design, sendo reconhecida em todo o mundo pelo seu trabalho inovador com o plástico, buscando, lançando e recriando tendência.
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A linha do tempo
1980
● Lançamento da primeira MELISSA de numeração entre adulta e infantil. Foi uma verdadeira loucura para um calçado no Brasil. Nos primeiros dez meses, a MELISSA nessa numeração vendeu mais de cinco milhões de pares.
1984
● Lançamento da MELISSINHA, modelo para criança que vinham sempre acompanhados de um acessório especial como relógios e pochetes. O modelo infantil foi introduzido no mercado com a célebre campanha das meninas ruivas. A da XUXA vendeu 13 milhões de pares em 1986.
1996
● Lançamento das coleções Winter Collection, Top Collection e Summer Collection.
2001
● Lançamento, no inverno, da Melissa Love System, um tênis totalmente injetado que tem o humor como principal matéria-prima. O produto fazia parte da coleção I Love Melissa, uma verdadeira injeção de auto-estima no cenário da moda pós-11 de setembro.
2002
● Em julho, a Grendene patrocina pela primeira vez o maior evento de moda da América Latina, o São Paulo Fashion Week. Em pleno prédio da Bienal, a marca monta um Hospitality Center para apresentar a nova coleção MELISSA do Brasil, com modelos criados pelo artista plástico Romero Britto.
2003
● Lançamento de uma linha assinada pelo estilista ALEXANDRE HERCHCOVITCH.
2004
● Lançamento da coleção Melissa Tour, que propunha uma visão divertida das várias etnias do mundo.
● Durante a SPFW de junho é lançada a coleção Melissa Celebration, uma doce comemoração dos 25 anos da marca. É aí que se inicia a parceria com os irmãos Fernando e Humberto Campana, designers brasileiros consagrados internacionalmente.
● Lançamento da coleção Melissa Zig Zag, que consistia na clássica Aranha e uma sandália de salto alto.
2005
● Lançamento da coleção Melissa Love Robots na SPFW de janeiro como forma de abordar a questão da tecnologia humanizada.
2006
● Lançamento da Melissa Campana Zig Zag, uma sapatilha prática, moderna, usual e eclética, capaz de transitar em várias ocasiões com a desenvoltura característica da marca. Inspirada no conceito Zig Zag, sob a forma de linhas entrelaçadas, a Melissa Campana se transforma em arte urbana.
2007
● Lançamento do modelo Melissa Papeete Rainbow Glimpsy que muda de cor de acordo com a luz. Na sombra, uma cor e no sol, outra completamente diferente. Não é magia. O efeito é conseguido com o uso de um pigmento sensível à luz ultravioleta, presente nos raios do sol.
● Lançamento da sapatilha Melissa Night, concebida pelo estilista Lorenzo Merlino. A peça tem bico arredondado e detalhes que parecem pespontos.



Uma marca “Cool”
Dentro e fora do país, entregou-se ao talento de estilistas, como Jean Paul Gaultier, Thierry Muegler, Alexandre Herchcovitch e Marcelo Sommer, de artistas plásticos, como Romero Brito, o stylist e diretor de arte Judy Blame e de designers, como Patrick Cox, J.Maskrey, os irmãos Campana, o designer egípcio Karim Rashid, e, mais recentemente, em 2008, a estilista britânica Vivienne Westwood e a arquiteta iraquiana Zaha Hadid. Apareceu em filmes e anúncios; vestiu os pés de inúmeras personalidades e modelos, como Claudia Schiffer, Ana Paula Arósio, Malu Mader, Betty Lago, Bruna Lombardi, Patrícia de Sabrit, Lídia Brondi, Maitê Proença, Claudia Liz, Tônia Carreiro e a atriz norte-americana Victoria Principal; desfilou em passarelas e fincou presença nas mais transadas butiques internacionais. Meninas e jovens mulheres cresceram tendo a Melissa como parte de suas vidas. Após tantas experiências, em 2005, a empresa decidiu contar a história da marca MELISSA com o mesmo teor emocional de sua trajetória e com total liberdade artística em Plastic.o.rama Made in Brazil, uma exposição multimídia que aconteceu em março no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e mais um livro em que cem profissionais de diferentes áreas, entre fotógrafos, estilistas, designers e publicitários, foram convidados a interpretar um modelo básico da sandália, original de 1979, criando obras e customizações únicas. Foi um enorme sucesso. A idéia fez tamanho sucesso, que acabou virando sete modelos usáveis, distribuídos ao público visitante do SPFW em sua 19ª edição.



Outro marco na trajetória da marca foi a inauguração da Galeria Melissa na rua Oscar Freire, em pleno circuito fashion paulistano, em agosto de 2005. O espaço, de vocação multidisciplinar, é ponto de encontro entre o universo da MELISSA, coleções criadas por parceiros da marca com total exclusividade, lançamentos de produtos especiais e exposições ligadas a temas como design, fotografia, moda, beleza e tecnologia. Numa breve retrospectiva, a Galeria já sediou exposições do designer egípcio Karim Rashid, dos renomados irmãos Fernando e Humberto Campana, da vocalista da banda “Cansei de Ser Sexy”, LoveFoxxx, do estilista Alexandre Herchcovitch, da ilustradora Carla Barth, do artista plástico e ilustrador chileno Andrés Sandoval, da designer de toy art Leila Voodoo, além de trabalhos dos designers Daniela Ktenas e Domenico Salas, da artista plástica Mana Bernardes, da estilista inglesa Vivienne Westwood e da arquiteta iraquiana Zaha Hadid. A Galeria Melissa revolucionou o conceito de flagship store, levando conteúdo e cultura para suas instalações. A Galeria foi idealizada como um canal de comunicação e reúne diferentes colaboradores, paixões, inspirações e desejos. Imponente graças à sua fachada super colorida e constantemente renovada, a Galeria tem o jeito da MELISSA: dinâmica, moderna e sempre buscando novidades para assim, em plástico, construir sua história. A cada temporada a MELISSA convida um artista para assinar a fachada da Galeria.



Agora, de olho no futuro, a marca segue renovando seu estilo, agregando novos conteúdos através de parcerias e reforçando a corrente anti-mediocridade contra a mesmice e a falta de alternativas. Marca global, não vê fronteiras na moda e no mundo. Pelo menos, não se o plástico for a linguagem.
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Campanhas que fizeram história
O cheirinho, feito para trazer uma memória afetiva dos melhores momentos da vida, uma mistura de chiclete, jujuba e pirulito (cuja fórmula a Grendene não revela de jeito nenhum), é o mesmo desde que ela surgiu, mas as campanhas publicitárias da marca MELISSA foram muitas ao longo de quase três décadas. Em 2003 adotou o slogan “Melissa, o plástico na sua forma mais sedutora” em uma campanha na qual bonecas de plástico passaram a ser seus novos modelos publicitários. No ano seguinte foi a vez da campanha “Melissa Tour”, onde as bonecas MELISSA, que já estrelaram as campanhas anteriores como Melissa Brasil, Music e Plasticodelic, dão a volta ao mundo e apresentam os novos modelos da coleção Melissa Tour. Confira abaixo os anúncios que marcaram a história da marca.



Recentemente, em 2007, a marca lançou a famosa campanha “Melissa Create Yourself”, que seguia a tendência do consumidor que interage e cria conteúdo para a marca.



Os slogans
New order all the way! (Internacional)
Melissa, o plástico na sua forma mais sedutora. (2003)
Sempre Igual. Sempre Diferente. (1997)
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Dados corporativos
● Origem: Brasil
● Lançamento: 1979
● Criador: Alexandre e Pedro Grendene
● Sede mundial: Farroupilha, Rio Grande do Sul
● Proprietário da marca: Grendene
● Capital aberto: Não
● Chairman & Presidente: Alexandre Grendene
● Diretor criativo: Edson Matsuo
● Faturamento: R$ 250 milhões (estimado)
● Lucro: Não divulgado
● Lojas: 1
● Presença global: 80 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 20.000 (Grendene)
● Segmento: Calçados
● Principais produtos: Sandálias e sapatos de plástico
● Ícones: O modelo Aranha
● Slogan: Melissa, o plástico na sua forma mais sedutora.
● Website: www.melissa.com.br
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A marca no mundo
Atualmente a marca MELISSA, que está extremamente consolidada no Brasil, trabalha fortemente nos mercados americano e europeu, fortalecendo sua internacionalização. Na França, as criações da marca brasileira estão nas badaladas Colette e L’ Éclaireur, Galerie Lafayette, 58M e na loja de departamento Le Bon Marche. Em Londres, na poderosa Harvey Nichols, Browns Focus, Matches e na moderna Dover Street Market. No Japão, Beams, United Arrows, Loveless, Barneys e L’Éclaireur. Nos EUA, a MELISSA ocupa as prateleiras das mais renomadas lojas das Costas Leste e Oeste, sem esquecer de Miami Beach. A marca está na Opening Ceremony (NY), Kitson (LA), Base (Miami), Forty Five Tem (Dallas), Dillard’s, Saks, Bloomingdale’s e Nordstrom. Em Portugal está na Clube Chocolate, na Itália na Biffi e na Banner em Milão e na Turquia na Harvey & Nichols e Nude, em Istambul. Na Grécia, a marca está na vitrine da Observatory em Atenas e na Bélgica na Clinic (Antuérpia) e Ferrent (Bruxelas). Em quase 30 anos, a MELISSA criou mais de 500 diferentes modelos, fabricou mais de 55 milhões de pares, exportou outros 20 milhões para mais de 80 países e produziu sapatos para as mais renomadas figuras da moda.

Fonte: http://mundodasmarcas.blogspot.com/2006/07/melissa-moda-em-plstico.html

Jessika dos Santos
Shirley Neves